Dia inteiramente passado em Sultans que, com ondas entre o 0,5m e 1m, continuava a apresentar uma direita comprida e perfeita. De manhã apenas o nosso grupo na água e mais uns quantos hóspedes de Pasta Point, a esquerda que parte (também perfeita, claro) na ilha em frente, exclusiva para quem está alojado no resort.

Na surfada da tarde partilhámos o pico com uma escola do Porto (um abraço para a Flower Power!) e entre cumprimentos, partilhas de ondas (ok, ok, dropinos amigáveis) e trocas de impressões sobre ambas as estadias “curtiu-se largo” até quase ao pôr do sol. Quando nos preparávamos para zarpar até ao local onde o barco ficava fundeado durante a noite demos por falta do Manel que, cansado do crowd de Sultans tinha “saltado” para Honkeys e acabou o dia a surfar umas boas esquerdas (praticamente) sozinho.
Mais um jantar animado com “estórias” de 12 elementos do sexo masculino e, após vermos as fotos e vídeos das ondas do dia, pouco mais tempo demorámos até cair em sono profundo.

Dia 3
Após a alvorada das 6h da manhã constatámos que a ondulação havia baixado. Com a maré ainda a vazar as pequenas ondas rebentavam muito perto do coral e apenas 3 surfistas consideraram que “bora lá, vale sempre a pena com água a 28 graus e sem ninguém na água”. E assim foi até à hora do pequeno almoço.
Após o pequeno almoço e como o mar continuava pequeno resolvemos fazer um mini campeonato, dividindo os 12 “atletas” por 4 baterias. Aconteceram algumas surpresas, reclamações, interferências e muitas ondas surfadas até ser dada interrupção do campeonato no final desta 1ª fase devido à escassez das ondas e ao facto do Gobi estar a chamar o pessoal pois o almoço estava servido!
Todas as refeições a bordo do Haira eram bastante acima da média para os padrões habituais nestas boat trips. Desde o pequeno almoço (crepes, sumos de fruta, doce, chá, café, leite, omeletes, fruta, …), almoço e jantar (buffet variado e com possibilidade de repetir até ao saciamento total) até ao lanchinho para quando saíamos da surfada de final de tarde… todas as refeições eram 5 estrelas. Isto até cerca do 5º dia onde as opções começavam a repetir-se e todos já salivavam por um Big Mac ou uma Pizza.

Gastronomia à parte, as ondas teimavam em não melhorar e decidimos rumar mais a Norte, até Jails e Chickens, 2 ondas que, à semelhança daquelas por onde já tínhamos passado, quebram em ilhas que estão praticamente lado a lado. À chegada o cenário não era muito diferente com as ondas a rondarem o 0,5m sempre com alguns sets um pouco maiores.

Enquanto uns saltam do dinghy para surfar Chickens, uma esquerda muito rápida e comprida que com aquela maré bem cheia terminava mesmo em cima da ilha, os restantes pisaram terra firme indo visitar a ilha de Cokes, assim chamada (a ilha e a onda) por nela estar instalada a fábrica de uma conhecida marca de refrigerantes. Muito calor, interacção com alguns habitantes locais, visita a uma escola onde parece notar-se algum investimento feito na educação, ida a um supermercado local para recarregar o número de telefone maldiviano e “chekar” as previsões para os próximos dias e compra de alguns souvenirs, tudo sempre acompanhado das fotos da praxe.
De volta ao Haira e todos novamente para o pequeno dinghy… uns foram fazer companhia aos putos e ao Manel que já estavam em Chickens à cerca de uma hora. Como o crowd aumentou consideravelmente neste período os restantes optaram por ir surfar Cokes cujas pequenas ondas terminavam bem no inside. Um das consequências desta situação foram 6 picos de ouriço espetados num dedo do pé deste que aqui vos escreve… lá fui eu directamente ter com Gobi, o médico de serviço.
Além de médico, o Gobi tinha muitos outros ofícios, dos quais se destaca o de “pussy dinghy boy” pois ficava sempre a kms do pico quer para nos deixar quer para nos apanhar. Depois de muito desconfiar e desatinar com ele por causa desta situação viemos a descobrir que o desgraçado não sabia nadar… e todos os dias ficava a promessa que o iríamos ensinar. Como? Mandando-o borda fora, pois claro! Apesar de tudo e dentro de toda a tripulação, o Gobi foi aquele que mais enriqueceu culturalmente pois além de ter aprendido muitas palavras em português (adivinhem quais?!) ainda conheceu algum do bom cinema que os adolescentes transportam consigo nos seus computadores portáteis. Além do Gobi também o Captain se mostrou sempre bastante amigável e disponível apesar de âncoras e coral não serem muito o forte dele.
Nos próximos dias continuaremos a publicar o diário de bordo da Puro Surf Maldivas Boat Trip 2010. Podem ver mais fotografias desta viagem em http://picasaweb.google.com/purosurfacademy/Maldivas2010#